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Educação Ambiental

Entende-se por educação ambiental os processos por meio dos quais o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade. (CAPÍTULO I, Art. 1o)

Lei Nacional de Ed. Ambiental (Lei nº 9.795 de 27 de abril de 1999) definiu:

“A educação ambiental será desenvolvida como uma prática educativa integrada, contínua, permanente em todos os níveis e modalidades de ensino formal”.

Política Nacional de Educação Ambiental

A dimensão ambiental na educação

No final dos anos 60 e inicio dos anos 70, o movimento hippie manifesta-se a favor da natureza. Na década de 1970, a poluição e o alerta contra o esgotamento dos recursos naturais começam a trazer preocupações aos governantes. Na década de 1980, o termo “Educação Ambiental” popularizou-se definitivamente no mundo. Hoje mais do que uma realidade, a educação Ambiental (EA) tornou-se uma grande necessidade.

A EA apresenta uma nova dimensão a ser incorporada ao processo educacional, trazendo toda uma recente discussão sobre as questões ambientais, e as conseqüentes transformações de conhecimento, valores e atitudes diante de uma nova realidade a ser construída.

O novo mundo que queremos, mais equilibrado e justo, requer o engajamento pessoal e coletivo de educadores e educandos no processo de transformações sociais.

O educador e a Educação Ambiental

Em muitas atuais discussões sobre os problemas ambientais ressalta-se a postura incorreta do ser humano diante da natureza, o que não pode realmente deixar de ser criticado. No entanto, o educador deve tomar a precaução para não se colocar na posição pessimista em que alguns já afirmam: o homem definitivamente rompe o equilíbrio ecológico e seria melhor deixar de existir. Esse raciocínio mostra-se tão fragmentado quanto ao seu antagônico, que coloca o homem como o centro, o “ser superior”, que contrapõe ao antropocentrismo é também um raciocínio simplificador, excludente dos “antagonismos e complementaridades” inerentes aos processos naturais de que o ser humano é parte integrante, e como muito bem resume Gonçalves (1989) “ é necessário que se elabore a visão que comporta tanto a rosa quanto o espinho: a visão da roseira”.

Em EA é preciso que o educador trabalhe intensamente a integração entre ser humano e ambiente e se conscientize de que o ser humano é natureza e não apenas parte dela. Ao assimilar esta visão (holística), a noção de dominação do ser humano sobre o meio ambiente perde o seu valor, já que estando integrado em uma unidade (ser humano/natureza) inexiste a dominação de alguma coisa sobre a outra, pois já não há mais separação. Podendo assim resultar em atitudes harmoniosas por parte do ser humano, em consonância com as relações naturalmente existentes entre os elementos vivos e elementos não-vivos de um ecossistema dinamicamente equilibrado.

Spinoza, citado por Gonçalves (1989), afirma que “todo ser é potencia e que a potencialidade só se desenvolve na relação”.

Portanto, na relação do ser humano com o meio, que atualmente parece se processar de forma bastante desequilibrada, dominadora, neurotizante, é que a EA tem um grande campo a desenvolver. Praticando um trabalho de compreensão, sensibilização e ação sobre esta necessária relação integrada do ser humano com a natureza; adquirindo uma consciência da intervenção humana sobre o ambiente que seja ecologicamente equilibrada.

No trabalho de conscientização é preciso estar claro que conscientizar não é simplesmente transmitir valores “verdes” do educador para o educando; essa é a lógica da educação “tradicional”; é, na verdade, possibilitar ao educando questionar criticamente os valores estabelecidos pela sociedade, assim como os valores do próprio educador que está trabalhando em sua conscientização. É permitir que o educando construa o conhecimento e critique valores com base em sua realidade, o que não significa um papel neutro do educador que negue os seus próprios valores em sua prática, mas que propicie ao educando confrontar criticamente diferentes valores em busca de uma sítese pessoal que refletirá em novas atitudes.

 

"A sustentabilidade humana tornou-se cada
vez mais uma corrida entre a educação e o sofrimento".